Roteiro de 5 dias em Amsterdã

Até a presente data Amsterdã é minha cidade favorita do mundo. Bonita, charmosa, desenvolvida, good vibes.

Quando eu botei meus pés em Amsterdã pela primeira vez, eu pensei é: Caramba! Que cidade louca. Há poucos dias atrás tinha sido o Kingsday que é o “carnaval” de Amsterdã e acho que a galera ainda tava no clima: Grupinhos de moças fantasiada nas ruas. Grupinho de rapazes risonhos. Um parque digno de filmes do cinema. Muito movimento. Muita vida. Me identifiquei com essa maluquisse alegre.

Eu queria ter ido ao Kingsday, mas como me precipitei comprando as passagens, não rolou, quando eu pensei nisso já tinha todos os bilhetes aéreos em mãos. Enfim.. continuemos.

Sinceramente? Acho 5 dias inteiros bastante, dá pra virar Amsterdã turística do avesso em menos tempo. Varia de acordo com o que você quer e espera, dos bate e voltas que você gostaria de fazer e tal.

primavera amsterdam
Não é mesmo encantadora essa tal de primavera holandesa? Muitas tulipas por todo lugar.

Transporte

Eu levei 2 dias para entender como funcionava o sistema de transporte em Amsterdã. Não tinha me preocupado em pesquisar. Achei que fosse ser autoexplicativo igual o sistema parisiense. Não é bem assim. No primeiro dia andei a pé (me cansei pra caramba). No segundo loquei bicicletas. No terceiro, dei um basta nisso e pesquisei.

A pegadinha começa com o seguinte: em Amsterdã o principal transporte não é o metrô – que tem poucas linhas e parece que seu uso é para ir a lugares mais distante. O principal meio de locomoção é o TRAM uma espécie de veículo leve sobre trilhos que passa na superfície da cidade.

Outra coisa é que eu tentava pegar tickets através das maquininhas, mas nunca dava certo. Porque aparentemente o negócio não funciona através de tickets (como Paris), é um cartão OV-Chipkaart (que seria tipo um bilhete único). Eu comprei, adivinhe só aonde… dentro do próprio tram! É tão óbvio, passei tanto tempo tentando comprar em catracas que quando vi que era só subir no tram e comprar com o trocador me senti profundamente idiota.

Tem cartões de 24 horas, de 48 horas, 72… e assim sucessivamente. Você compra o mais adequado pra você e viaja a vontade por aquele período de tempo. Pegue o mapa da rede do metrô e principalmente do tram e seja feliz.

Bicicleta

Se o brasileiro é louco por carros, em Amsterdã, a paixão é por bicicletas. Eu achava muito fofo ver as holandesas numa bicicleta com um cestão na frente onde ela carregava os filhos. É um dos principais meios de transporte por lá.

Bicicleta lá é negócio sério. Além das boas ciclovias, tem sinal próprio para bicicletas. Existe mão e contramão (imagine a confusão que criei até descobrir isso). E se você tiver andando muito devagar, as pessoas te cortam pela esquerda, o trânsito de bicicleta lá é levado a sério.

Encantadoramente marrom
Amo essa arquitetura toda marronzinha. Nessa hora eu estava andando de bike.

O que fazer

A galera fala inglês super de boa e eles são bastante agradáveis, conversam, perguntam de onde é, etc. O tempo lá ficou ensolarado com temperatura agradável e escurecia bem tarde. Eu vi tantos museus em Paris que cansei, não vi nenhum em Amsterdã; Amsterdã não conheci ponto específicos, mas a cidade como um todo. Não me pressionei pra fazer um roteiro cronometradinho. Acordei a hora que deu vontade, passeei sem rumo e só fiz o que quis.

dia longo
Timestamp que não me deixa mentir que os dias na primavera duram pra sempre. Olha que horas o Sol tava começando a se por.

Se eu fosse hoje, iria nos principais museus. Certamente eu iria ao museu de Van Gogh (amo). Basicamente iria em todos da praça dos museus (Museumplein). O Rijksmuseum, que é o museu nacional, o acervo conta a história da Holanda, fica na praça dos museus em frente o letreiro do “I am Amsterdã”.  O museu do diamante, que estou arrependida de não ter visitado, poderia ter sentido e visto um diamante de verdade pelo menos uma vez na vida. Até mesmo o Stedelijk Museum, com arte mais contemporânea, que geralmente fica esquecido.

Mas então o que foi que eu fiz? Quando eu cheguei lá, de trem vindo de Paris, fui logo caminhar pelo centro. Prepare-se pra voltar rolando de Amsterdã, a comida de rua é não-saudável e muito gostosa. Comi demais. Tudo que eu via nas vitrines e parecia gostoso, lá ia eu atrás pra comer. Continuando, no centro, passei pela Dam Square, que é o coração da cidade. Onde tem o Palácio Real, que eu mal consegui notar a presença ali, tinha um parque muito louco montado em frente a ele. Só notei ele ali dias depois quando passei em frente de novo e o parque tinha sido desmontado.

Em frente a praça do Dam também tem um shopping de luxo (De Bijenkorf – vai se acostumando com os nomes). Entrei porque no Brasil não tenho coragem de entrar na loja da Louis Vuitton, por exemplo, me olham de cima abaixo. Ali pertinho também tem um ótimo museu de cera, com celebridades, pra quem curte, o Madame Tussauds Amsterdam. Do outro lado da rua, por ali tem as lojas de departamento: Zara, Forever 21, H&M, etc.

Vamos ser sincera? Vamos, porque é essa a proposta do meu blog. Essa parte de Amsterdã não tem nada demais. Não é bonita, é centrão de cidade mesmo. É gente pra lá e pra cá, é tumultuado, chega a ser meio feio. Quando eu cheguei na praça do Dam, eu pensei “ué, é isso? Só isso?”. Nem tirei fotos. Resenhas de viagem em geral aumentam demais as coisas. Vá despretensiosamente pra dar um rolé no centro e ver como é. Não crie expectativas. Mas ressalto que pra comer é tudo de bão.

Saindo dali fui no Red Light District, que é o famoso distrito da luz vermelha, onde as meninas que se prostituem ficam nas vitrines. Não tire fotos. Não só por uma questão de educação, mas de segurança, você pode tomar uns petelecos no pé da orelha, pra dizer o mínimo. E não esqueça que ali tem todo tipo de gente: desde turistas curiosos até traficantes e batedores de carteira. Eu achei bem seguro, pra mim que sou brasileira, do Rio de Janeiro, tranquilo até demais. Só tô fazendo esse adendo pra vocês não ficarem totalmente alienados. De resto o que eu posso dizer sobre lá é que é um lugar muito louco. Tinha as minas lindas, pareciam bonecas, nas vitrines vestindo biquíni. Tem sex shops. Tem espetáculos eróticos. Maior doidera. Depois segui pelo centro, até a estação central e encerrei o dia.

No segundo dia eu fui em Begijnhof, de novo, porque tinha ido no dia anterior e dei de cara na porta porque já estava fechado. Begijnhof é uma parte de Amsterdã que parece que parou no tempo. É um lugar secreto, fica escondido atrás de uma porta bem no centro de Amsterdã. Parece que ali viveu uma irmandade católica de celibatárias. Preserva uma paz e uma tranquilidade incrível em meio ao centro tumultuado. Ali tem uma casinha que ainda preserva sua fachada em madeira, eu achei bem bonito. Gostei de ver. É pertinho do Amsterdam Museum, com a história da cidade de maneira interativa. Próximo dali também tem o famoso mercado flutuante das flores (Bloemenmarkt). Quem gosta de flores, tem que parar!

Begijnhof
Casinhas em Begijnhof. Adoro essas casinhas compridas e marronzinhas típicas de Amsterdã

Nesse dia eu aluguei bicicletas. Depois do Begijnhof e fiquei passeando pelos as margens dos principais canais da cidade: HerengrachtKeizersgracht e adjacentes. Depois disso segui pra região onde tem os museus – Museumplein –  e o mais famoso dos letreiros “I Amsterdam“. Olhei para cara dos museus e pensei: “não quero entrar mesmo não”. Peguei a bike e segui pro Voldenpark, talvez o parque mais famoso e mais visitado de Amsterdã. Ele é imenso, bem bonito, é um dos lugares onde a galera é feliz e socializa. Por ali perto fica uma das boas pra noite que é a Leidseplein, praça movimentadíssima cheia de bares e restaurantes.

Bicicletando
Só não me perguntem qual canal é esse, não vou lembrar. Olha o céu super azul, parece que realmente dei sorte.

Letreiro
Letreiro disputadíssimo em Museumplein. Dizem que há outros menores e menos muvucados espalhados pela cidade. Eu sou a pessoa de casaco rosa gritante.

No terceiro dia eu fui ao Parque das Tulipas (Keukenhof), conto pra vocês em post a parte. Eu desisti de ir nos Moinhos em Zaanse Schans por motivos de não estava muito afim não. Tava cansada de Paris, tava nos últimos dias de férias, já ia voltar a trabalhar. Quis curtir Amsterdã de maneira mais leve e tranquila. Mas não repita meu exemplo, vá! Lá você vai ver como era uma vila tipicamente holandesa, vai ter um contato cultural muito rico, com direito a queijos e tamancos haha Faça o que eu digo, não faça o que eu faço.

No quarto dia, eu fiquei pensando se iria fazer um passeio de barco pelos canais. Decidi não fazer, pelo mesmo motivo que não fiz passeio de barco em Paris no rio Sena. Mas aluguei uns pedalinhos e fiquei passeando, haja perna, mas foi divertido. Maior barato ver as casas-barco, aquelas casinhas sobre os canais, quero uma gente!

Voldenpark
O lindíssimo Voldenpark. O tempo tava tão agradável que consegui até dispensar o casaco.

Também fui ao museu da Tortura. Em Amsterdã tem vários museus desse tipo (temáticos) que eu curto chamar de museus alternativos (do sexo, da maconha, da prostituição, do queijo…) são bem turistão mesmo, não raro ficam aquém da expectativa dos seus visitantes dado o pouco acervo e baixa qualidade em geral. Eu gostei do museu da tortura, é horrível de se ver, mas é bom pra que não esqueçamos o que já fizemos uns aos outros por não saber respeitar a diversidade. Observe que esse tipo de museu tem um objetivo muito simples: captar teu dinheiro. Então se tiver curiosidade e grana, visite, mas sem esperar demais.

museu da tortura
Uma reflexão que eu achei interessante ao final do museu da tortura. Se eu bem me lembro tinham outras línguas, mas eu só li as em inglês mesmo. Se tiver curioso pelo o que tá escrito, eu tentei lançar uma tradução bem aqui.

No quinto dia eu fui a Casa de Anne Frank, não tenho fotografias de lá porque não é permitido. Eu quase chorei. Muita gente relata a mesma emoção. É uma experiência surreal especialmente pra quem já leu livros ou viu filmes sobre. De manhã a visitação é pra quem compra ingresso online. E a tarde pra quem é idiota como eu que deixou pra comprar lá e passou uma boa parte da tarde na fila. De lá fui ao museu do queijo. Degustei muitos, não comprei nenhum. Mas eles embalam a vácuo e tal pra você poder comprar e voar com ele sem problemas. Pra mim que amo queijo, é imperdível. Não comprei porque não fui capaz de escolher apenas um. Dali tá valendo dar umas voltinhas despreocupadas pela região, o Jordaan é um bairro muito queridinho em Amsterdã.

Sobre o bairro onde fiquei, o bairro Judaico, vale pelo menos uma visita o Museu de História Judaica, muito rico em história e cultura dos judeus. A Sinagoga Portuguesa com seu audioguia incluso no preço também vale a visita.

Eu pulei completamente a Heineken Experience porque eu não gosto da Heineken (foi mal, galera). Sobre os coffeeshops (lugar onde é permitido vender e fumar maconha), eles estão espalhados pela cidade inteira. Entendeu né? Se ler plaquinha escrito coffeeshop já sabe que não é um lugar para se tomar café. Muito turista entra só pela curiosidade.

Então é isso gente, espero ter conseguido ilustrar pra vocês um pouco do meu encantamento com Amsterdã. Beijos, até o próximo post.

Uma árvore rosa
E no meio do caminho tinha uma árvore rosa. Tinha uma árvore rosa no meio do caminho

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