Buenos Aires e meu espanhol “Shakira, Shakira”

Buenos Aires foi minha primeira viagem internacional. Fiquei 5 dias, achei bom e suficiente. A recomendação padrão de hospedagem é no bairro Recoleta por ser bom e próximo ao centro. Eu fiquei no centro, mas nem tão no centro assim, fiquei no Ibis Buenos Aires porque era mais barato. Não me lembro do hotel em si porque só fui nele pra dormir mesmo. Deve ser padrão Ibis, tudo igual no mundo todo. Eu adoro. Sem surpresas. Apesar da localização “central”, eu achei muito bom, bem em frente tem uma pracinha simpática, tem uns comércios que ficam abertos até tarde. O centrão mesmo de Buenos Aires parece morrer a noite e como todo centro de cidade grande à noite, cede espaço para atividades ilegais, pode ser um pouquinho perigoso.

 

Meu bairro favorito de Buenos Aires é Puerto Madero. Extremamente agradável para um passeio e uma caminhada. Mas acho que pra se hospedar lá requer um pouquinho de ostentação, assim de leve.

ponte de la mujer - puerto madeiro - buenos aires
Orla super agradável de Puerto Madero com a Ponte de la mujer ao fundo

Em Buenos Aires não andei de transporte público, só de táxi (RYCA, SQN) pq era ridiculamente barato pro que o real era na época. E só assim conheci alguns taxistas que faziam cambio paralelo. Trocavam pesos por uma pechincha, mas cuidado! Tem o risco de receber notas falsas. E o risco de entrar num táxi pirata também é considerável.

Nem sei também pq comprei tantos pesos. O real era bem aceito na época. Em diversas lojas, diversas feirinhas, aceitavam meus reais com uma cotação boa. Se eu fosse hoje, eu pensaria duas vezes antes de sair trocando meus reais por pesos. Enfim quem quiser ir a Buenos Aires, coma muito bife de chorizo com papas fritas. Vai ver um tango. Bailar un reggaeton. Ver a redisência presidencial mais singular (a Casa Rosada). Dar um rolé no caminito. Comprar uns cosméticos baratinhos na Farmacity (uma rede gigante de farmácias que vende cosméticos num preço bem legal). E sejam felizes por vocês e por mim.

culinaria argentina
Parece que as batatas fritas tradicionais tão saindo de linha e sendo substituídas pelas congeladas em palito. Uma pena!

Gafes no espanhol:

Enfim, vamos pro que nos interesse aqui? Então, cara, eu falo tanto espanhol quanto qualquer brasileiro, ou seja, não falo, no máximo lanço um portunhol. Mas a gente fica sempre com aquela sensação de “ah, dá pra se virar”. E dá mesmo! Eu falo meu português devagarinho ou lanço o pouco que sei de espanhol. Dá pra comunicar. Se desatinarem a falar rápido, entendo nada e o contrário tbm é verdade, mas aí eu lanço:
– Yo no compriendo muy bien, poderías hablar despacio, por favor?

Só que nem sempre é o suficiente para evitar os micos. Não tem jeito, algumas palavras, parada de vocabulário mesmo, são completamente diferentes.

Gafe 1:

Sei que cheguei num lugar lá que vendia suco e dentre outras coisas e pedimos:
– Que-ria um su-co de mo-rango
– Morango?
– Sí sí

E a vendedora fez cara de interrogação como quem dizia “cara que que você tá falando? Eu não sei o que é um morango”, aí ela foi chamar uma colega para ajudar… e eu tava tipo “vei, como assim, vocês não tem morango”, bom, como a vontade de tomar um suco de morango era grande pensei: JÁ SEI! Vou descrever o morango, ela vai sacar que fruta é!
– Es una fruta pequeña, roja (ainda bem que eu me lembrei que vermelho era rojo), ácida.

Aí a outra vendedora deu um estalo:
– Ahhh frutilla!

E eu na mesma hora concordei!
– Sí, sí, frutilla! – sem ter a menor idéia do que era frutilla.

Depois que eu me toquei que essa descrição caberia a mais de uma fruta, aí comecei a rezar: Tomara que aqui não tenha acerola, tomara que aqui não tenha acerola! Eu estava desejando que acerola fosse uma fruta tipicamente brasileira que não é exportada pra Argentina, não gosto muito de suco de acerola, azeda demais pro meu paladar de formiguinha.

Pouco tempo depois ela me vem com uma bandeija contendo leite e água fervendo. Eu e meu boy ficamos um pro outro: “mas que caralhos é isso!”. O pedido não era nosso, era de um carinha que estava longe. Depois de mais um tempo chegou o suco e era de morango mesmo, bingo! Mais uma palavrinha pro meu pequeno vocabulário espanhol “frutilla”.

Gafe 2:


Eu amo sorvete. E depois que fui pra Buenos Aires fiquei um pouco chata com isso, dificilmente tomo sorvete brasileiro (bonKi nunca mais). Fiquei exigente, sorvete tem de ser bem cremoso, ter sabor. Nada de sorvete aguado, água com essencias congelada. Enfim, passeando toda toda na orla de Puerto Madero uma Freddo pula na minha frente. Lá fui eu! Toda toda! Pedi meu favotiro:
– Chocolate Blanco y Dulce de Leche (só amor essa dupla!)
Aí vem o cara e me pergunta:
– Salsa?
– No no
– Está segura?
– Sí sí

Ele me olhando incrédulo, com cara de tipo “caraca, como assim, ela não quer salsa!” e eu olhando pra cara dele “eu ein, que cara estranho”. Porque se tu pergunta pra um brasileiro se põe salsa o que é que um brasileiro pensa? Nisso aqui ó:

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Salsinha no meu sorvete? Não, obrigada.

Se falar que pensou em outra coisa é mentira ou não é brasileiro! Hahaha Eu pensando “Tá louco, onde já se viu salsa em sorvete”. Só fui descobrir MILÊNIOS depois que salsa pra eles é cobertura… Ahhhh tá. Mais uma palavrinha pro vocabulário “salsa”.

Eu amo casquinha de sorvete. Não sei do que gosto mais, do sorvete ou da casquinha. Adoro. Quando vou naquelas sorveterias self-services sempre pego a cestinha de casquinha, um caso de amor, gente. Só que nunca comi casquinha na Argentina, nunca soube pedir e as freddos tão sempre muy lotadas e o atendimento é tipo spoletto (brincadeirinha). Então sempre no copinho mesmo

Gafe 3:


Meu boy adora lojinha de vender coisinha, buginganguinha, souvenir, etc, eu até curto dar uma olhadinha rápida e só, muita paciência não. Mas ele adora. Aí beleza, tamos lá olhando até que algo me interessa, pergunto pra vendedora

– Cuanto custa?
– Sem pesos

Que é que eu pensei? Ahhh é brinde da loja, que legal. É de graça. JURO GENTE. Já ia saindo da loja feliz da vida, levando lá a paradinha até que a vendedora vem atras mim:
– Custan CI-EM PESOS

Ahhh tá carai! 100 pesos! Ah tá! E nem pedi desculpas, porque não sei pedir desculpas em espanhol a única palavrinha mágica que sei em espanhol é “gracías”. Pensando agora, por que eu nunca pesquisei? Sei lá quando tô indo pra viagem tenho tanta coisa pra ver, pra resolver, que nunca pensei nisso e quando tô voltando idem. e fora disso nunca lembro, sei lá.
Enfim se quiser me ensinar “casquinha”, “por favor”, “desculpa” e “com licença” fiquem a vontade.

Mas se bem que agora existe o duolingo um dicionário qualquer super tranquilo (só que quase). Só que na época não tinha esses aplicativos, no máximo google tradutor.
– por que você não usa o google tradutor?
– ah é bonita? Com que 3g ?

E até hoje é assim, não vá achando que tem wifi em tudo que é lugar não. E nem me preocupo em comprar chip local. Pagar roaming então: nem morta. E assim sigo em frente, tropeçando no portunhol.

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