Histórias de um Cruzeiro

Bom gente, neste post vou fazer uma coletânea sobre histórias no cruzeiro (se você perdeu a parte I do cruzeiro, vem ver aqui) e talvez tenha alguma dica baseada na minha experiência que te seja útil ou interessante.

Área externa a noite

O cruzeiro já começou tenso porque a turismóloga que fechou o contrato com a gente, enfatizava muito pra gente não ficar de palhaçada nem de brincadeira boba na parte externa do navio, pois cair de um navio era como cair de um prédio de não sei quantos andares: não tinha chance de sobreviver. Ela perturbou tanto com isso que nos primeiros dias nem ficamos na área externa do navio e depois que a galera bebia, a galera que não bebia (eu inclusa) ficava barrando o povo de sair.

Outra coisa que ela insistiu é a pra que levássemos casaco:
– Leve um casaco, faz frio e além do mais o navio tem ar condicionado, não é incomum pessoas se resfriarem.

Ah cara, era uma época quente, levei um casaquinho-inho-inho por desencargo de consciência. Baita calor, não ia fazer tanto frio assim! Faz! Dentro do navio a gente estava sempre em movimento e não sentia, nos quartos o edredom era bom, mas teve na última noite decidimos ficar do lado de fora para ver o sol nascer do Sol. Caraca eu devia ter dado ouvidos, era muito frio. Daí a gente cismou de fazer coisas que esquentasse, dentre elas dançar e brincar de pique (o que foi uma péssima idéia, uma amiga se machucou real, fez até fisioterapia por conta disso e diz ela que até hoje, nunca mais, o joelho – ou tornozelo – foi o mesmo). Ou seja, se for fazer cruzeiro, mesmo que no verão, leve um casaco.


Galera dançando para aquecer ao nascer do Sol

Porque a noite, o cruzeiro tá no meio do mar, tu olha pra um lado: NADA. Pro outro: NADA. É uma infinidade de NADA. Você olha pra baixo também é tudo PRETO, MUITO PRETO. Você só enxerga a espuma branca da água passando pelas hélices do navio, então realmente, era uma ventania, um frio desnecessário. O único lugar que vale a pena olhar, a noite, fora do navio é o céu! Eu devia ter fotografado. Só tenho a imagem borrada na minha mente. É lindo demais! LINDO DEMAIS! É muito estrelado, na cidade com tantas luzes ofuscado, com tantas construções, a gente não percebe o quão estrelado é o céu. Muito lindo! Se eu tivesse feito o cruzeiro só para ver o céu que eu vi já teria valido a pena. Ver o sol nascendo também foi magnifíco!

Nascer do Sol
Foi esse casaquinho que levei. Olha o vendaval, que frio! Mas o céu compensa tudo!

O tombo de Cibelly

Outra coisa que aconteceu no cruzeiro é que durante a visita a Ubatuba, a gente foi lá numas rochas, umas pedras que tinha na praia, era muito bonito e tal, queríamos ver e tirar fotos, uma amiga nossa escorregou, ela ficou fazendo drama (ela é um pouco dramática mesmo), não demos atenção:
– para de bobeira, foi so um arranhaozinho, levanta aí

Quando fomos olhar de novo ela tava com a perna toda ensanguentada, caraca, me desesperei! Até pra me redimir do descaso, levamos ela e fui chamar os bombeiros lá na casinha dos bombeiros que tinha na praia. Adivinha só, o bombeiro que tava lá tinha medo de sangue! Ri demais, gente!

em Ubatuba
Ubatuba e suas rochas malvadas

“É logo ali”

Sempre me alertaram sobre pedir informação pra pessoas de outras regiões, que às vezes ela falam ali e o ali deles é lá na… ponte que partiu, especialmente paulista. Nunca tinha levado isso a sério até atracar em Ilha Bela. A gente queria fazer um passeio legal, alguém falou Ilha das Cabras, pedimos informação o cara disse só seguir aqui, ali na frente, já chegou. MAS ANDAMOS MUITO MALUCO. Caraca, acho que atravessei o estado de São Paulo inteiro a pé até chegar lá. Eu estava ficando mau humorada e rabugenta. Cara, que doidera, era muito onde Judas se cansou de andar descalço (porque as botas ele já tinha perdido há muito tempo). A gente andava, andava, andava e ficava em dúvida: “melhor seguir em frente ou voltar?” e chegávamos a conclusão que “viemos até aqui, agora vamos até o fim”

Cara e a turismologa lá foi bem clara, o navio não esperava, se na hora da última embarcação de volta a gente não estivesse, o navio partiria sem a gente… Isso começava a preocupar a gente, mas valeu a pena, a ilha é linda!

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ilha bela
Vista ao longo do caminho

Fiquei encantada com tanta beleza, ainda volto em Ilha Bela. Mas hoje, penso 10x quando qualquer pessoa de outro estado me fala “é logo ali na frente”. Em São Paulo capital isso já me aconteceu também “Ah o parque Ibirapuera? Logo ali na frente!”. Eu, vivida na vida já, perguntei pra outras pessoas. “Ali na frente? NÃÃÃO. Não dá pra ir a pé não, toma um ônibus”. Tome cuidado com o “logo ali”.

Final das contas, a gente por pouco não perdeu mesmo a última embarcação, porque tivemos de fazer o caminho de volta e atacamos a comida lá da gringa, depois só ouvimos um barulho lá no porto
– CARACA A ÚLTIMA EMBARCAÇÃO, COOOOOORRE NEGADAAAA!

E saímos correndo pra pegar o barco! Ufa, deu tempo!

“Não pode sujar o carpete”

Uma dentre as muitas coisas enfatizadas lá pela moça da agência de viagens é que não podíamos danificar o carpete de nenhum modo, que era uma fortuna, que acontecesse o que acontecesse devíamos manter o carpete intacto, pois se não teríamos de pagar.

Enfim, um amigo meu não estava bem, tinha bebido muito, aí um amigo meu que estava no mesmo quarto que ele e eu fomos procurá-lo, quando o encontramos no quarto, ele disse:
– cara eu to passando mal…
Ele ia vomitar! Meu Deus, o carpete!!!!!!! Meu amigo meteu o pé nas costas dele e empurrou para direção do banheiro, ele já caiu vomitando tentando segurar com as mãos e o negócio escorrendo pelo chão do banheiro. Ufa, salvos. O timing foi muito perfeito minha gente!

Esse mesmo amigo que vomitou foi protagonista de outro episódio épico: Na boate, tinha alguns puffs para as pessoas sentarem. Não vendo um puff no chão tropeçou nele. O cara deu uma cambalhota, foi um giro completo de 360 graus e a bebida não caiu do copo!!!! A gente passou naos zoando ele com isso chamando ele de cambalhota, acho que ele fica bolado até hoje se chamá-lo assim kkk

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