Dissabores em Santiago

Eu gostei de absolutamente tudo no Chile, exceto Santiago. Dentre as poucas capitais da América do Sul que conheço definitivamente foi a que eu gostei menos. Nesse post vou tentar explicar o que eu não gostei em Santiago.

Custo benefício duvidoso

Santiago é uma cidade bem cara e a careza dela deve refletir o bem estar socio-econômico porque nem de longe Santiago é tão bonita quanto Montevidéu, nem tão interessante quanto Buenos Aires. Eu sei que não deveria estar comparando as cidades, que deveria ter curtido Santiago por si só, mas é inevitável.

A impressão que tive de Santiago NÃO é uma cidade turística, as pessoas turistam nela de teimosia. É a primeira cidade que eu conheço que ao comprar um ticket do metrô aí peço o mapa das linhas e me dizem que não tem. Oi? Como assim vocês não tem um folheto com as linhas e estações? Já sabe né, leve com você.

Fora a sinalização ausente nas estações de metrô. Custava ter uma plaquinha que indicasse “se você quiser ver a Praça das Armas, saia por aqui”? Uma plaquinha só com o nome do ponto turístico já bastava (em Paris é assim). No metrô você faz uni-duni-tê e geralmente pega a saída errada para aquilo que você quer ver e aí tem ficar dando voltas pelo quarteirão.

Não fosse o bastante, não gostei da culinária e não tive muita sorte com santiaguinos, um taxista e uma funcionária do metrô fizeram grosserias para mim. Em termos de comida, come-se mal e paga-se caro por isso. Em legítima defesa da gastronomia santiaguina, admito que não sou grande fã de frutos do mar, que o carro chefe da culinária deles. Se você é como eu e ama um steak: aqui comemos carnes melhores por preços mais em conta.

Fora que sei lá, a galera lá parece ter uma relação estranha com abacate. Eu já estava ciente do tradicional cachorro quente de abacate. Tudo bem. Era só passar longe. Não gosto de abacate mesmo, por que faria tamanha maldade completamente desnecessária com meu paladar ? E pior ainda pagar por isso? Tô fora. Tranquilo.

Só que quando eu estava indo para rodoviária de Viña Del Mar, notei que tinha um shopping em frente. Eu estava com fome, não tinha almoçado. Pensei “hum, como já está quase na hora do meu ônibus vou comer um fast food”. Fui no KFC. Pedi meu hamburguer, paguei, sentei para comer. Dei aquela mordida cheia de vontade… e lá estava o abacate. P*** que pariu quem diabos bota creme de abacate num hamburguer?!

Em legítima defesa do creme de abacate, gostaria de dizer que não tinha sabor de absolutamente nada. Faz parte da cultura deles e é diferente do abacate que comemos aqui no Brasil.

Sobre Santiaguinos…

Bom, eu, naquele desespero tentando chegar na vinícola, vejo um taxista.  Fui abordar ele para ver se ele topava fazer a corrida e tal. Ele já começou a resmungar, gritar e sacudir a cabeça:
– NO, NO, NO, NO
Meu Deus! Eu tava completamente perdida, sem rumo e destino e ele mal deixou eu terminar de falar!

E a menina funcionária do metrô foi o seguinte: eu estava voltando de Viña del Mar, tava na rodoviária de Santiago (que integra com uma estação de metrô) e ia voltar para a estação do meu hotel. Eram 10 da noite. Tinha um portão de ferro fechando a entrada da estação. Eu estava muito bem informada que a estação parava de operar somente as 11, então fui colocar minha mão pra abrir, a menina já veio gritando e dando esporro:
– NO VES QUE TÁ CERRADO e blablablabla

Eu saí de perto porque minha vontade era… nossa. Enfim, um show de grosserias. Aí veio outro funcionário falar comigo que aquela entrada em específico ia passar por manutenção que tinha uma outra (e me indicou onde era) que eu poderia usar.

Curiosamente minha mãe perguntou se o povo Chileno é legal, só pude responder:
– Até os franceses que são mundialmente famosos pela falta de cordialidade são mais agradáveis, mãe.

Provavelmente foi má sorte, eles não ostentam fama de ser um povo antipático, muito pelo contrário.

Santiago? Bonita?

Eu já ouvir dizer que Santiago é linda. Eu sinceramente não sei onde. Se me perguntassem e Santiago fosse um menino eu diria “é… bonitinho, ajeitadinho, feinho arrumadinho”.

Pra mim beleza tem muito a ver com água. Não se restringe a presença dela, mas acho que tem uma relação forte entre uma coisa e outra. Será que daria pra chamar o Rio de Janeiro de bonito sem as praias? Montevidéu sem as ramblas? Amsterdã sem os canais? Curiosamente a parte de Buenos Aires que acho mais bonita é a portuária.

Enfim, como posso chamar de bonita uma cidade sem meio lago? Você sobe no cerro San Cristóbal e só vê prédio, prédio e prédio.

cerro san cristobal
Quero ver dizer que eu tô mentindo

Apaixonados por Santiago que me perdoem, mas a proposta do meu blog é fazer relatos realistas e tô sendo bem sincera com relação ao que achei.

O mais bonito de Santiago para mim é a vista para a cordilheira dos Andes salpicadas com neve que adivinhe só você do que a neve é composta: ÁGUA. É uma visão realmente incrível. Achei que a melhor vista para contemplar essa maravilha é o Ski Costanera.

Metrô ou trem pra Central?

Uma amiga havia me dito que o metrô de Santiago na hora do rush é tão cheio quanto o metrô Rio. O grande lance é que em dia de semana a hora do rush é o dia inteiro. A primeira vez que peguei metrô lá, o primeiro trem passou MUITO cheio, de você não conseguir entrar. Deixei passar. Pensei “vou no próximo”. Aí o próximo veio igualmente entupido. Aí eu entendi. O metrô é assim, se você não forçar a entrada. Entrar na marra mesmo. Você não se locomove. É igual trem pra Central, tem que tomar impulso e entrar na ignorância. Em Santiago o preço do metrô é dinâmico. São 3 tarifas. Na hora do rush é a mais cara, nas horas adjacentes a hora do rush mais barato e fora da hora do rush é o menor preço. Em legítima defesa do metrô de Santiago, pelo menos lá tem uma rede razoavelmente integrada. Na cidade mesmo fiz tudo de metrô.

Para não esculachar Santiago tanto assim, vou pegar mais leve: talvez eu esperasse demais da minha primeira ida ao Chile, como eu já disse era um sonho e talvez eu tenha criado expectativas demais. Eu admiro o Chile, talvez eu conheça melhor sua história do que a própria história do Brasil. Eu acho o Chile lindo, sua diversidade de paisagens num só país me encanta, o problema mesmo foi a capital… Sei que estou fazendo um alarde muito grande, mas é importante que eu diga que eu não me arrependo de ter conhecido Santiago e iria uma segunda vez. Só que com uma visão mais realista e menos influenciada por pessoas excessivamente românticas haha. E minha má relação com alguns santiaguinos não deve ter passado de má sorte, eles não tem fama de rude e em outras cidades fui bem tratada.

Mas sendo bem sincera? Acho desperdício ir pro Chile pra ficar em Santiago,  eu já disse isso. Combina com Viña, Valpo, Mendoza, Atacama, Cajon del Maipo, Neve, sei lá, com qualquer coisa, mas não se restrinja somente a Santiago.

Uma coisa engraçada é que dentre todas as viagens que eu fiz, essa foi a que mais vi brasileiros. Se quiser se esconder, fique por aqui. Eu sempre conheço brasileiros, mas nessa viagem foi demais. Os tours que eu fazia, só tinham brasileiros. Na neve? Só brasucas. Na vinícola pro tour EM ESPANHOL? Só brasucas. Inclusive conheci um casal do Maranhão, eles se ofereceram pra racharmos um táxi pra voltar para estação de metrô. Parei até num barzinho em Bellavista pra ver a final das Olimpíadas, no bar? Só brasileiros. Fizeram correntinha pra torcer junto e tudo. Que doidera, gente!

Enfim, é isso, mil beijos galera, até o próximo conto.

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