Perrengues em Montevidéu

A idéia da viagem a Montevidéu era passar um feriadão. Ir quinta a noite e voltar domingo. Decidi ir de noite para já amanhecer lá na sexta. Só assim não ia perder tempo em aeroporto, mala, check-in, etc. Show, né? Nem tanto assim…

Perrengues na ida

O negócio já começou louco quando a ida pro aeroporto foi tumultuada. Afinal era véspera de feriado, tava tudo engarrafado, aeroporto cheio e as coisas foram se desenrolar de tal forma que não deu tempo de jantar.

Teria sido uma idéia realmente genial, se fora isso tudo, o voo não tivesse atrasado 10 vidas. Eu fiquei horas presa dentro do avião morrendo de fome e calor. O sistema de ar estava desligado pois o avião estava no solo e parado. O problema? Tava engarrafado! Siiiiim, minha gente! Engarrafamento de aviões. A que ponto chegamos nesse Rio de Janeiro! Tinha uma fila de vários aviões esperando para usar a pista de decolagem do aeroporto. Caraaaaca. Eu cansada, pingando de suor, com sede, com fome. Pai do Céu. Tava em vias de enforcar uma aeromoça. O vôo atrasou pra sempre, cheguei no Uruguai de madrugada, tudo fechado, só pude comer no dia seguinte.

Finalmente vou dormir…

Só que não né. Já contei pra vocês que não dormi uma noite sequer durante os dias que fiquei no Uruguai. Poisé, passei aquele sufoco todo pra chegar e quando finalmente, de madrugada, quando estava prontinha para dormir. Argh que cama ruim! Sério gente, odeio cama mole, travesseiro mole e baixo. Me mata. Meu colchão é ortopédico, duro. Se tu se jogar em cima da minha cama, você se machuca. O do apart onde eu fiquei era tudo macio demais, não me acostumei. Fiquei muio cansada. Para eu ficar morta com farofa, só faltou a farofa mesmo.

Aluguel de bicicleta

Outra experiência ruim foi o aluguel de bicicletas. Liguei para um número que encontrei na internet, até bem famosinho entre brasileiros. Funciona assim, vc aluga por telefone e eles te entregam no hotel. Ótimo. Só que a bicicleta era horrível. 0 ergonomia. Machucava muito o bumbum. Muitas vezes eu não aguentava e pedalava em pé. Voltei pro Brasil e continuei com dor. Péssimo. Na boa, vá na loja e teste a bicicleta antes de locar.

Perigos de um parque de diversões

Fora que eu quase morri lá né. No parque Rodó tinha um parque de diversões montados e eu cismei de ir lá num brinquedo que girava a gente lá no alto. Foi lindo porque eu pude ver o por do Sol, a cidade e a praia do alto. Só que o parque era bem simplezinho, sabe? Daqueles itinerantes que a gente monta e desmonta. Sei que to sentada no brinquedo, esperando o moço ligar a máquina para começar e tô ouvindo umas crianças gritando. Crianças gritando em parque? Normal né. Ignorei. De repente o som começa a tomar forma nos meus ouvidos…
– Chica! Chica! Chica – olhei pra trás pra ver o que tava acontecendo
Era comigo! As crianças me olhavam com um olhar desesperado. Meu Deus, o que tá acontecendo?
– La cinta! La cinta! – Gritaram elas e apontavam pro cinto de segurança delas

Geeeente. Só aí eu me dei conta que eu estava sem o cinto de segurança, na verdade eu não tinha nem visto ele ali. Nem sabia que existia. Eu só tinha fechado uma barrinha de ferro achando que aquela era a única proteção. Ainda bem que eu entendo alguma coisinha de espanhol, gente, imagina só. Salva por crianças uruguaias! Devo minha vida a elas. Me salvaram de sair voando pelos ares de Montevidéu.

no brinquedo do parque rodo
Vocês tavam vendo cinto? Pois é nem eu. Isso vermelho era minha bolsinha

Corrida extorsiva

Montevidéu foi uma viagem bem descontrolada em termos de grana. Eu tinha 500 reais para gastar. Troquei e fui guardando em lugares variados. Só que eu esqueci os lugares onde guardei. Teve uma hora lá que cismei que não tinha grana. Saquei um reserva que tinha num caixa eletrônico. Depois reencontrei o dinhero que eu jurava que não tinha. Ou seja, acabei ficando com dinheiro demais. Me convenci a destrocar. Até aí beleza.

Sei que na hora que a corrida acabou ele falou um valor lá. Eu não entendo número em espanhol. Aí dei umas notas pra ele lá e então ele me explicou melhor quanto era. Não lembro quanto deu, mas deu um valor com sei lá, 3 dígitos, fiquei chocada com o preço. Perguntei se aceitava real. Ele disse que não. Falei que não tinha aquela grana. Eu tinha destrocado, deixei só o que eu achava ser suficiente mesmo pro táxi. Ele me perguntou se o hotel não tinha me avisado do valor. Não, não tinha. Tive que sacar de novo. E o cara impaciente, porque não podia estacionar ali. Ele ia pagar multa. Eu sem poder fazer nada:
– Tá com pressa pode ir. Se adianta lá.

Dica: as corridas de táxi pro aeroporto são bem extorsivas, vá no máximo de uber.

Números em espanhol

Eu não entendo bulhufas de números em español. Lá em Montevidéu, não tem metrô, então houveram coisas que eu fiz de ônibus mesmo. E pra pedir informação na rua? Os uruguaios são muito educados e solícitos, mas eu entendia p***a nenhuma. Pra começar eu não sabia como abordar um uruguaio ou uruguaia. Eu escolhi uma pessoa que ia abordar e começava a seguir ela pensando no que fazer. Não sabia se chegava dando “buenos días/buenas tardes”, se chegava chamando de “señor/señora” (“desculpa” e “com licença” eu não sabia falar). Aí eu me aproximava super desajeitadamente:
– Señor, buenos días, poderia me ayudar?…
E mandava o resto da frase em português:
– …como pego ônibus para o parque rodó?

Aí eles sempre falavam em espanhol: “ah o ponto é ali e vc pega o ônibus “xyuuoxousdsgada”. Gente eu não entendia nada. Aí começava a soletrar os numeros, tipo:
– Uno? Uno? Siete?
– Noooo, nooo, cuatro, ocho, trés.

Ou seja, eu entendia um número COMPLETAMENTE nada a ver com o número que a pessoa me falava. Pra descer no ponto certo foi menos trabalhoso, porque contei com a ajuda do GPS offline do celular.

Comida

Eu já contei pra vocês né, que não tive uma boa experiência no Mercado del Puerto. Eu fui a um restaurante super recomendado. Eu super contente pedi um bife de lomo al punto (afinal filé mignon não faz parte da minha vida aqui no Brasil), mas veio com o boi gritando no prato de tão mal passado,coisa que eu não gosto. Pior que eu nem sabia como pedir para passar mais.

Fora que gastei fortunas com alimentação e olha que só almoçava. Comprei pizza no primeiro dia e nos outros jantei a tal pizza requentada pedida no pedidos já.

Pertubações na volta

E no voo de volta? Uma moça sentou no meu lugar na janelinha do avião, uma bem perua, sabe, VACA! Não sabe que o lugar é marcado?! Mas eu tava numa paz, porque eu realmente gostei de Montevidéu. Deixei pra lá, deixei ela ir no MEU lugar que era na janelinha. Perdi a chance da última vista aérea da cidade, mas tudo bem.

Só que chegando em São Paulo, não aguentei, minha good vibe foi pra pqp. Meu voo de ida foi direto, mas de volta foi baldeado. Chegando em Sampa, me informaram que eu ia ter de pegar minha mala para despachar de novo.

– Tá brincando?
– É porque você tá vindo de voo internacional, você tem que pegar a babagem, passar pela receita federal e despachar de novo
– Mas eu nem comprei nada, meu Deus!
– É o procedimento

Fiquei muito estressada com essa palhaçada. Eu só queria almoçar. A conexão nem era muito longa. Eu tinha alguns minutos para resgatar a mala, passar pela alfândega e despachar ela de novo. Burocracia tosca. Acho que se alguém sentasse no meu lugar de novo dessa vez eu ia expulsar aos berros ou puxando pelos cabelos.

Enfim, aí vi um pizza hut e fui comprar né, aproveitar que do meu lado de cá da baía de guanabara não tem. Já tava na hora de embarcar. Pedi pra viagem. Fui pra área de embarque. Aí me deu dúvida se eu ia poder entrar com alimento ou não. Esse negócio de regra que só vale pra voo doméstico e regra que só vale pra voo internacional me confunde toda. E quando não pode, eles pedem p jogar fora ou jogam fora na sua frente. Eu tava pronta pra iniciar uma guerra civil para manter a possa da minha pizza. Cara, se pedisse pra eu jogar fora, ia dar um treta… eu ia sair de lá presa pela federal, mas eu não ia tacar minha pizza fora.

– Essa pizza é pra mim? Opaaa nem almocei… – Um funcionário falou pra mim quando eu tava tentando entrar na área de embarque. Olhei pra ele muito bolada. – Calma, tô brincando – continuou ele. Aí eu afrouxei.
– Ah ta, que susto, achei era hoje que ia rolar o auge do movimento separatista rio-sampa haha

dica: é só pra voos internacionais, em Montevidéu mandaram eu jogar minha garrafa d’água fora.

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