Sofrências de um Cruzeiro

Cruzeiro pode soar em alguns ouvidos como um paraíso tropical, como a viagem dos sonhos. Não foi bem assim. Foi a viagem mais cansativa que fiz na vida e olha que 100% das minhas viagens até hoje foram cansativas. Eu gostei muito! Foi muito divertido, mas acho que prefiro viagens terrestres, não sei se faria de novo não. O roteiro do cruzeiro era: Rio – Ubatuba – São Francisco do Sul – Ilha Bela – Rio. E isso foi no inicinho de Março (finalzinho do verão é mais barato).

 

bloggeira em ubatuba
Ubatuba me surpreendeu positivamente: Bonita e badalada

São Francisco do Sul
São Francisco do Sul é uma das cidades mais fofas, mais lindinhas na qual eu já estive. É toda coloridinha, um amor.

Se eu entendesse de arquitetura faria um comentário mais inteligente, mas não é o caso. E Ilha Bela?

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Ilha Bela é um dos lugares mais lindos onde eu já pus meus pés. Água Cristalina. Encantadoramente incrível.

Este foi um cruzeiro de formatura de uma turma que não era minha. Eu já tinha formado e estava cursando meu 3º período da faculdade. Meus amigos da série anterior a minha na escola que tava formando e eu me sinto mais da turma deles que da minha, fui junto.

Perrengues

 

1 – ÁGUA.

 

No cruzeiro tudo se paga em dólar. Eu já tinha falido pagando o cruzeiro, pensei em água? NÃO! Ela é tão necessária, mas é tão óbvia que geralmente não penso nela. Cara, quase desidratei! Quando o negócio ficou desesperador, tomei uma garrafinha de água do frigobar, meu Deus por quê? Fortunas por uma garrafa pequena, nem matou minha sede e no final do cruzeiro tive que enfrentar uma fila gigante de manhã para pagar sendo que eu estava mortinha de cansaço. Antes tivesse tomado água da piscina ou do chuveiro, pelo seria grátis e sem fila. A sorte pro resto da minha viagem é que minhas lindas amigas pensaram nisso, levaram várias garrafinhas com água na mala.

2 – COMIDA

 

Apesar de ser all-inclusive passei muita fome. As refeições tinham horas certinhas para acontecer, a nossa rotina a bordo era: acordar por volta das 8 da manhã pra tomar café, descer na primeira embarcação para conhecer a cidade e voltar na última embarcação no fim da tarde. Sabe quantas refeições a gente perdia? Todas! Quando a gente voltava, a gente tinha perdido o 2º café da manhã, o almoço e o lanche da tarde. E a gente só jantava no último turno. Caraca, eu emagreci muito durante essa viagem.

Passamos tanta fome, tanta fome, que em Ilha Bela, a gente foi passear e uma parte da galera decidiu ficar num botequim por ali mesmo, nesse meio tempo eles tinham conhecido uma gringa lá que tinha comprado petiscos, tava tudo sobre a mesa. Quando voltamos, vimos de longe que tinha comida. Cara a gente não quis nem saber, nem pedimos licença, nem cumprimentamos, nos apresentamos nem nada, a gente saiu correndo e atacou os petiscos da garota, depois que comemos tudo pedimos desculpa (cara de pau máxima kkk), acho que ela era argentina, ela falou pra gente.

– No importa, no importa – gringa gente boa pra cacete!

grupo em ilha bela

Beleza que isso tem um pouco de culpa nossa e um pouco de culpa do cruzeiro bosta. As vezes tenho vontade de fazer um com uma companhia mais renomada, pra vê se a experiência seria melhor.

3 – SONO

 

Terminando de contar a rotina: No final do dia a gente voltava pro navio, fazia algumas atividades a bordo, jantava e ia pra noitada. Ficava até umas 5 da manhã, ia pra lanchonete que ficava aberta de 00 as 6 (alguma parada assim), comia pizza, dormia por volta das 6, acordava por volta das 8 ou 9 e tudo de novo. Ou seja, não dormi no cruzeiro, apenas cochilei. No final eu fiquei num nível de exuastão tão grande, tão grande, que no dia de desembarcar todo mundo tinha que deixar os quartos, ir pra uma área lá e esperar o desembarque, cara eu não conseguia ficar de olho aberto, eu não conseguia me manter acordada, eu dormi no chão do navio. Quando cheguei em casa dormi por 3 vidas inteiras.

bloggeira dormindo no chão do navio sobre as bagagens
Eu dormindo no chão do navio sobre as bagagens

4 – MAR

 

No primeiro dia de cruzeiro eu passei mal, foi a adaptação, comida diferente, balanço do mar. Passou logo. Mas no segundo ou terceiro dia, não sei qual era o problema, se aquela região do mar que a gente tava atravessando era revoltada por natureza, sei que o navio balançava muito. Todo mundo abordo tava passando super mal. Eu só tava sentindo uma irritação, é horrível você querer estabilizar e tá o negócio balançando pra caramba. Tava ficando bolada com aquilo. Ficava com vontade de ficar deitada o tempo todo.  E dentre meus amigos eu era a que estava hospedada melhor, no sétimo andar, cabine com janelinha, mas quanto mais alto, mais tremia, um horror. A física explica isso, com certeza. Eu já soube explicar, não lembro mais. Enfim a única vantagem é que as cabines melhores (mais altas) desembarcam primeiro. No dia de ir embora quando eu tava em casa dormindo já no milésimo sono, meus amigos ainda estavam esperando para desembarcar. Enfim, esse balanço me irritava tanto, tanto, tanto que eu fui perguntar pras minhas amigas (e algumas delas tavam passando mal de verdade):

– Quem a gente conhece que tá mais baixo?
– Os meninos tão no quarto andar!

E é pra lá mesmo que nós fomos, cheguei lá:
– Se virem, se reorganizem que eu viemos pra ficar!

galerão
Resultado, 10 pessoas dormindo em um quarto quádruplo

Muita gente não foi jantar esse dia, o restaurante da janta tava vazio. Mas sou bicha ruim. Falei:

– É ruim que não vou jantar ein, se for de passar mal, boto tudo pra fora depois, mas que eu vou jantar eu vou

E ironicamente (ou estrategicamente) foi o dia que o cardápio foi melhor, só a entrada eu pedi pra repetir 3x.

 

bloggeira em Ubatuba
A julgar pelas fotos quem diria, não é mesmo? Isso é o que as fotos não falam

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